quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Acróstico.

Se com poucas letras
Ousasse descrever
Cada singularidade
Individualidades
Erros
Desencontros
Acertos
Dos seres humanos
Escreveria em forma de acróstico.

domingo, 30 de outubro de 2011

Mulheres

Há pouco participei junto às minhas camaradas da UBM da conferência estadual de políticas públicas para mulheres promovida pelo governo.
Sou feminista. Ponto. Isso não significa que eu acho que mulheres devem pegar em armas e matar os homens por ai, ou que eu não curta me arrumar (apesar da veia hippie pegar às vezes), ou qualquer outro esteriótipo que queiram dar a uma feminista. Significa na verdade que sou mulher, me entendo como uma, e estou empoderada a ponto de buscar minha independência e romper com o que aprendi desde pequena: "menina faz isso ou aquilo se não não vais ter um bom marido..."
É isso que aprendemos, meninas devem buscar o amor e um homem que lhe dê segurança, na verdade, muito mais a segunda parte.
Bom, como empoderada quero dizer que não preciso de nenhum homem que me dê segurança. Sou mulher e dou conta de mim mesma.
Esse é só um dos pontos de um mal chamado machismo. Um mal da sociedade, e não dos homens. Um mal que se fortalece dentro da lógica de mercado e consumo em que o capitalismo nos enfiou.
Um mal que atinge a todas nós, mulheres.
A ideia da conferência era a discussão de políticas públicas para mulheres. Ações, afirmativas ou não, por parte do governo, que possam mudar a vida de todas.
Não entrarei aqui em grande detalhes, mas, deixo registrado que sai um pouco decepcionada com o nível do debate em alguns aspectos.
Vi propostas de mulheres que queriam ensino médio em tempo integral para ter a segurança de saber onde seus filhos de 17 anos estavam, mulheres que ali discutiam o investimento de apenas 10% do fundo social do pré-sal para educação, quando o movimento educacional pede 50%, enfim, pontos e pontos desconexos, perdidos, que não tocavam direto no ponto: como vamos chegar a uma sociedade com igualdade de gênero? O que se via era a busca por solução de problemas imediatos. E não por uma mudança de lógica.
Para completar, na hora da eleição das delegadas para a nacional ficou claro o sectarismo do movimento feminista.
Eram tudo. Negras, quilombolas, religião-afro, idosas, camponesas, jovens, comunistas, petistas, socialistas, qualquer ista.... menos feministas. Faltou o gênero, faltou a causa comum, faltou o olhar pra dentro....
Admiro as mulheres que ali estavam. Eram muitas. Mulheres que deixaram seus maridos em casa, os filhos, o momento de descanso, as outras lutas, e que estavam ali para discutir e fazer política.
Mas, faltou o ponto. Faltou, ou passou do ponto. Não sei ao certo. Mas, espero que avancemos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O meu melhor relacionamento. Um menáge.

Depois de um tempo venho aqui no blog para falar do meu melhor relacionamento. Estamos a um bom tempo juntos, na verdade somos três, eu, ele e ela. Cumplicidade, crescimento, o tanto que me empenho por esses dois, esses dois contribuem para que eu me descubra. Algumas decepções já ocorreram, afinal de contas isso é tão comum quando é o ser humano que ta envolvido... mas, a base que nos liga é tão mais forte, tão mais intensa. Estamos juntos por que no fim temos o mesmo objetivo, queremos e acreditamos nas mesmas coisas e esses dois, aai esses dois, eles me dão toda base para acreditar que meus sonhos podem ser reais. Primeiro conheci ela, essa jovem muleka atrevida que fez despertar o que há de melhor em mim, depois ela me apresentou ele, esse coroa com muita história pra contar... Desde então seguimos os três. E boto a mão no fogo por esses dois.
Não, não estou falando de nenhum menáge... não é nenhuma safadeza não. Também não falo aqui do D. do W. do V. e nem do E. Quase la, são siglas, mas siglas que trazem consigo algo muito muito grande.
Falo aqui da minha UJS e do meu PCdoB. Esses dois com quem caminho junto e com quem vou me descobrindo, e vou ajudando a fazer crescer. A base que nos liga é a ideologia socialista, nosso objetivo comum é a luta por um país mais justo, com igualdade e desenvolvimento, um país cuja riqueza seja distribuída para todos.
Não nego que ja tivemos crises, mas, o que nos une é tão mais forte que sempre volto atrás, até por que esses dois sempre me mostram que não é fugindo que chegamos a algum lugar.
Afinal de contas, estamos falando do PCdoB e de sua juventude! Ditadura Militar, Estado Novo, Araguaia.... nossa, esses dois já passaram por tanta coisa, e passaram sempre de cabeça erguida, sem deixar de lado a que vieram, que penso: quem sou eu pra deixar eles de lado?
Deixando de lado a cronicidade, escrevo esse texto devido aos recentes ataques ao meu partido e a comentários de que "militontos estão botando a mão no fogo"
O PCdoB em seus quase 90 anos de história nunca esteve envolvido em nenhum esquema de corrupção! Todas as denuncias que ja surgiram foram comprovadas como inverídicas. Afinal de contas, não foi por uma política corrupta que morremos nas ruas, nas praças, nos galpões do DOI. Atacar o PCdoB sem provas é o mesmo que atacar a democracia brasileira! Em tempos em que o povo desacredita seus políticos, atacar caluniosamente o único partido que tem mostrado tanto clareza política quanto transparência e retidão é tirar o que resta de esperança de um povo em uma política comprometida.
Me entristece e me enoja tudo que está acontecendo. Nos abrimos para toda e qualquer investigação, afinal de contas, quem não deve não teme, mas, não recuaremos, não sairemos de onde estamos por medo, cedendo à pressão daqueles que há anos comprovam não possuir nenhum comprometimento com o país!
Peço a todos que lerem esse texto, que pensem duas vezes antes de dizer "olha, até o PCdoB", pensem a quem serve a descrença do povo na política, juntem os fatos, comparem.
Nesse menáge com o PCdoB e com a UJS eu tenho aprendido a fazer política e tenho encontrado o meu rumo, a maneira de tornar ao menos parte dos meus sonhos realidade.
Não botar a mão no fogo por esses dois, seria não acreditar naquilo que me constitui.
O ser humano tende ao erro, sim. Mas a estrutura política dessas duas entidades impede que o erro se perpetue.
Boto minha mão no fogo por essas entidades, pelo projeto socialista para o Brasil. Isso é um relacionamento.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rio Grande, até quando esperar?

"...com tanta riqueza por ai onde é que está? cadê nossa fração?"

Desde que o polo naval ressurgiu em nosso país através da política de soberania nacional do governo Lula, Rio Grande tem vivido um grande crescimento, além disso, temos o 2º maior porto brasileiro em termos de cargas.
São muitos os investimentos que a cidade vem atraindo como a construção de dois shoopings centers, uma filial da subway e outra da Mc. Donalds. Sem falar de todo crescimento advindo da Universidade Federal do Rio Grande, como o Oceanário Brasil que fará de nossa cidade um polo ainda maior na área oceanográfica e turística.
Rio Grande é a cidade do tinha, do já foi, do teve...

Rio Grande teve o primeiro clube de futebol do país!
Hoje não temos nenhum grande destaque nem no futebol gaúcho, falta incentivo aos nossos clubes.
Rio Grande teve a primeira biblioteca pública do Estado!
Hoje está completamente jogada, sem nenhuma política de valorização.
Rio Grande teve a primeira banda marcial do país!
Hoje as bandas que temos reclamam da falta de apoio.
Rio Grande tem a maior praia do mundo e o balneário mais antigo do Estado!
Hoje, o Cassino está completamente abandonado no inverno, negocia-se a doação de áreas para empresas privadas na câmara de vereadores, nossa praia é tomada por uma lama que "ninguém consegue explicar" e não recebemos nenhum investimento turístico, como por exemplo um parque aquático. Sem falar que os moradores vivem o constante terror de ter suas casas assaltadas.
Rio Grande possuía ao menos 7 salas de cinema e teatros...
Hoje, nosso teatro municipal, o único, raramente recebe uma peça teatral. Hoje, só temos duas salas de cinema.
Nossa cidade não tem um plano de mobilidade urbana eficaz. Uma única empresa domina o serviço, a passagem é uma das mais caras do estado, rótulas são 'pensadas" e construídas em qualquer lugar, só há uma rota de entrada e saída e essa rota fica engarrafada. (Des) integração de linhas recebe o nome de integração tarifária, e muitas pessoas tem morrido atropeladas na RS-734 e a solução que se acha não são passarelas e sim mais rótulas e faixas de pedestres em uma via de trânsito intenso. Ah, aqui estudante deixa de ser estudantes à partir da meia noite, nos domingos, feriados e nas férias, pois perdemos nosso direito ao meio passe nesses períodos.
Aqui, hospital só existe no centro da cidade. A zona oeste da cidade é completamente abandonada nesse sentido (e em outros também). Somos a última cidade do ranking gaúcho em termos de investimento em saúde.
Apenas dois bairros da nossa cidade são regularizados, os outros não. Planejamento urbano e regulação fundiária não são temas muito debatidos.
Mas, outros temas são. Por que Rio Grande é a cidade do "se fala".
Aqui se fala em cemitério pra cão, em árvore de Natal gigante, em homenagem à ditador militar...
Até quando vamos esperar? A riqueza ta ai, o crescimento ta ai, e o desenvolvimento não aparece.
Eu quero rio-grandino trabalhando no polo naval, mais ainda, quero jovens rio-grandinos trabalhando no polo naval. Eu quero ser estudante sempre. Quero mobilidade urbana. Saúde e condições de vida em todos os bairros. Quero que a riqueza fique aqui na cidade, com nossos trabalhadores, para que junto com eles os comerciários também cresçam. Quero políticas públicas para mulheres e para jovens.
Repeti várias vezes "Rio Grande" no texto. Mas é pra lembrar de nosso nome: Rio GRANDE. Amo essa cidade e quero ela grande de novo. Para todos. ;)



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pelo Direito à Verdade e à Memória.

Como publiquei em postagem anterior, estou lendo um livro do Luiz Manfredini intitulado "As Moças de Minas", uma história de jovens militantes durante a ditadura militar.
O livro retrata bem o que era fazer movimento estudantil naquela época, mostra bem o que era lutar por democracia em qualquer camada da sociedade.
Em certa parte do livro começam a ser relatados os socos, queimaduras e demais torturas que aquelas estudantes passavam.
Estou lendo esse livro. Também estou acompanhando os debates sobre a Comissão de Verdade que visa abrir os documentos escondidos da Ditadura Militar para que basicamente a história seja recontada. Em uma conversa com amigos que tive na ida ao CONUNE eles diziam que a Comissão de Verdade talvez não fosse assim tão necessária por que todo mundo já sabe o que aconteceu.
Esse é o ponto. Infelizmente grande parcela da população ainda não se deu conta do que foi o golpe militar. Não se deu conta das torturas e mortes, do fim da democracia, do prédio da UNE pegando fogo.
Somado a isso, aqueles que sabem exatamente o que aconteceu e inclusive se beneficiaram desse terror propuseram na câmara de vereadores de Rio Grande que um monumento à Golbery do Couto e Silva, um dos grande articuladores do regime militar, responsável pela perseguição àqueles que lutavam pela legalidade.
Pior ainda do que ser proposta, a ideia foi aprovada, sendo que só a bancada de esquerda presente na hora votou contrariamente.
Meus caros, em tempos de consolidação da nossa democracia, em tempos do povo brasileiro ter orgulho de assim o ser, em plena efervescência das discussões sobre a Comissão de Verdade, quando outro países da América Latina estão revendo sua lei de anistia....dentro de todo esse contexto, Rio Grande está prestes a erguer um monumento a um dos crápulas do período mais triste da história brasileira, não apenas pela ditadura em si, mas também por todo entreguismoa que fomos submetidos.
Alguns colegas da FURG vão me dizer que minha universidade é federalizada graças ao Golbery. Respondo primeiramente que em termos de vida política as boas ações não excluem as más, visto que uma vida politica deve ser por completo reta. Em segundo lugar, Golbery foi mentor do golpe que derrubou Jango, derrubou as reformas de base que estavam por acontecer. Graças à Golbery e seus comuns, mais de 70% das universidades do meu país são privadas e a reforma agrária ainda está distante com mais da metade das terras produtivas do meu país dedicadas ao agronegócio.
Não, não agradeço Golbery pela FURG, que só se salvou de ser privatizada graças ao governo de muitos que foram perseguidos durante a ditadura, não agradeço por asfaltamento de rua e nem pela água potável, visto que isso qualquer governante deveria ter feito.
Sim, grito contra a aberração desse monumento por honrar a luta e a memória daqueles que se sacrificaram para que hoje eu pudesse estar escrevendo nesse blog, indo às ruas, militando no PCdoB, votando em projetos.
Grito contra por que sou BRASILEIRA antes de Rio-Grandina e por amar meu país, amar a democracia!
Grito por que hoje em dia há o direito ao grito!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Dicas de Livros.



Deixo aqui dicas de dois livros que li nas férias.
O primeiro é do meu autor preferido: Caio Fernando Abreu. Se trata de um de seus primeiros livros: Limite Branco.
O livro traz todo sentimento até os ossos de Caio. Todo um retrato de infância e juventude. Duvidas, construção de si. "É tempo de se fazer" diz o livro. Há quem diga que é um livro adolescente pois fala de toda ser se montando em quebra cabeças. Mais, como boa existencialista creio que essa construção de si é constante, e não apenas jovem. O tempo de se fazer é constante, e os sentimentos expressos pelo personagem Mauricio se encaixam em qualquer momento da vida. Curiosamente ganhei a obra no meu aniversário de 19 anos e Caio a escreveu com a mesma idade.
A segunda dica é o livro "Moças de Minas" do Luiz Manfredini. Um livro que traz o retrato de jovens militantes, mulheres, estudantes, que largaram suas vidas na década de 60 para fazer a revolução. Livro empolgante, envolvente. Feminino, revolucionário. Histórias que fazem qualquer jovem celebrar a democracia.
Me identifiquei de cara com a personagem Loreta, parecia que o autor falava de mim só que em outra época. Bom, é uma boa dica para quem quer mudar o mundo.

Volta...


Aqui, com meu corpo implorando sono e minha mente implorando colocar pra fora seus pensamentos, vou tentar resumir algumas coisas que se passaram desde a ultima postagem. São muitas coisas ocorridas nesses quase dois meses, mas, tentaremos.
Nesses últimos dias percebi aquilo que todo mundo sabe mais não consegue colocar em prática: é muito melhor deixar estar... certas preocupações que nos tiram o sono são às vezes grandes bobagens.É difícil por que estamos sempre querendo controlar o futuro, controlar tudo ao redor de nossas vidas (e talvez por isso a morte choque tanto, é algo que está fora de nosso controle), no fim nos tornamos maniacos sem perceber. Sim, vamos continuar com essa atitude, eu ao menos sei que vou, mas, a tomada de consciência é o primeiro passo para a mudança, e eu tive a minha nesse tempo de ausência do Blog.
Mais, a volta não se trata disso. A alguns posts atrás falei que não escrevia sobre politica por que precisava de um tempo pra falar de mim, além dos fatos políticos. Pois então, isso mudou. As férias junto com o CONUNE me trouxeram de volta todo o gás militante. Também me fizeram pensar que é isso que realmente quero pra mim. Tive um daqueles momentos em que tu te da conta da tua vocação, da tua capacidade, e daquilo que tu queres fazer. Bom, eu quero mudar o mundo, ou a parte dele que me couber. Não, não acho que politica seja profissão. Não é, não deve ser. Mas acho digno querer dedicar a vida a fazer politica descente, a mudar a realidade ao seu redor. Percebi que posso, não sozinha, mais posso.
Por isso vou usar mais o blog pra expressar opinião, e acima de tudo ouvir (ler). Por enquanto fico feliz em atuar no movimento estudantil, mais sinceramente há mais problemas a minha volta que ultrapassam as portas da minha universidade e provavelmente um dia eu vá querer ocupar alguma esfera politica que me de mais armas para enfrentar essas realidades. Mais, até la preciso aprender muito.
Vou tentar postar pelo menos dia sim/dia não. Espero que a loucura dos dias não me impeça.